quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Diário de Campo sobre a discussão da greve na aula de um professor que não fez greve


Antes de chegar na aula da disciplina de Pesquisa em Arte Visuais do IFCE os professores do IFCE, através do Sindicato Nacional dos Servidores, já haviam deflagrado um greve - a terceira que passo desde que entrei no curso de artes. Um dia anterior, eu havia ido na minha primeira aula que na verdade foi um espaço para uma explicação contundente dos professores que haviam escolhido a greve como última alternativa depois de, segundo eles, tentarem o diálogo com o governo federal há um ano. Dentro os motivos apresentados para a greve estão o aumento salarial de 14,77%, a reestruturação da carreira docente e a destinação de 10% do PIB brasileiro para a educação; somando-se ao fato de estarem protestando contra dois projetos que tramitam nas instâncias parlamentares do nosso pais: O projeto de lei nº 248/98, que possibilita a demissão de servidores públicos, e o nº 549/2009, que congela os salários por dez anos.

Diante disso, a minha dúvida enquanto estudante: vou ou não para a disciplina do único professor efetivo que não havia aderido à greve? Mesmo sabendo que é um direito meu não ser obrigado a ir para uma sala-de-aula quando da greve nem levar faltas por isso, resolvi ir para a disciplina justamente porque uma questão me angustiava: justamente o professor que possui um grupo de pesquisa sobre o ensino das artes, que entrevista outros professores de artes (da rede básica e superior), e que eu julgo, tem uma noção bem ampla das condições estruturais, psicológicas e institucionais desses professores, justamente ele não aderira à greve. Por quê? Acredito que foi esse motivo que me instigou a ir para à disciplina.

Cheguei no IFCE e já pude sentir um pouco o clima daquele momento político – poucas pessoas nos departamentos e salas vazias. Resolvi não dar ouvidos para os 'comentários de corredor' dos motivos aos quais levaram o professor da cadeira a não aderir. Vou escutá-lo pessoalmente, pensei. Ao entrar na sala, aguardamos um pouco. O docente entrou, trocas de conversas casuais e necessárias antes dele apresentar seus motivos da não adesão. Um professor muito competente, que não discordava da greve, mas apenas não aderiu. Independente deu concordar ou não com ele – é sempre interessante escutar pessoas que tomam decisão, que não se omitem ou têm medo de expor suas posições e descem do muro. Ele apresentou uma série de justificativas, dentre elas uma Semana de Artes Visuais para organizar, congressos para apresentar trabalhos, condições financeiras que não lhe motivara a protestar, estar dentre os 30% que era de direito não “grevar”,etc. Então, um desses momentos, perguntei por que ele optava por aquela decisão, pois se encontrava numa posição de alguém ao qual o aluno se espelha; como também de um professor que pesquisava outros professores. Lembro bem que em suas aulas ele sempre colocava discursos de professores da rede municipal, estadual e federal falando das precárias condições de trabalho. Havia uma grande simbologia ali: ele tomar aquela decisão é ensinar aos alunos que se pode 'furar uma greve' quando assim entender.

Para mim, particularmente, a greve não é nem um pouco interessante, posto que estou fazendo um Mestrado e justamente adiantei as cadeiras para terminar no tempo normal o curso de artes. Mas o fato político estava ali e quando menos esperava já havíamos iniciado um debate, dentro da disciplina, sobre greve, direitos, deveres,etc.

Concordei com algumas posições, discordei de outras. O debate até que foi interessante, mas não contou com adesão total da turma. Ouvi vários posicionamentos: pessoas que viam que no fundo só quem se prejudica com a greve é o aluno; que os professores “não estão nem vendo” para eles; outras que diziam que a paralisação é um direito,etc. No entanto, algumas considerações dos colegas de sala me preocuparam bastante: ver toda a problemática separando as “causas dos alunos” das “causas dos professores”. Como se, por exemplo, fazer greve por 10% do PIB do pais para educação ou pedir concurso para professores efetivos não fosse uma demanda que iria beneficiar (nós alunos), direta e indiretamente. É básico a noção de que no IFCE temos muitos professores substitutos e estes acabam sendo contratados como forma de 'remendos' para um grande déficit de docentes. Seria interessante os amigos de sala verem que podem ser beneficiados daqui a cinco anos com um concurso público de professor para a mesma instituição a qual estudou.

No entanto, um dos momentos que me deixou mais perplexo foi quando uma aluna interrompeu a discussão sobre a greve para perguntar “Sim, nós não vamos ter aula não? Porque nem todo mundo tá querendo falar sobre isso...” - a consideração foi seguida de uma observação pertinente, porém tímida, do professor, de que aquele momento já fazia parte da aula. No entanto, ademais de algumas vozes destoantes do questionamento da jovem, o questionamento imediatamente incitou a 'outra aula'. Voto vencido. Sem querer incindir numa crítica direta à colega que teceu o comentário, creio que aquele tipo de pensamento é o que “fala” por boa parte dos alunos do IFCE: alunos que nunca se vira empolgados com classes teóricas, nesses momentos, são os mais árduos defensores da volta de tradicional aula. Justamente aqueles estudantes que comemoram os feriados imprensados, a liberação mais cedo do professor ou então a ausência desse quando se encontra doente, justamente esses, nesses meus quase cinco anos de estudante do IFCE, são os que nesses momentos, não querem falar sobre greve e querem...Aulas! Para mim, isso encarna também o espírito apolítico da geração jovem brasileira. Se eximir da discussão política porque é algo chato, enfadonho ou não tem muito “a ver comigo” é bem mais cômodo. É o mesmo espírito que faz com que em pleno 11 de agosto nós não tenhamos nenhuma discussão sobre o sentido de ser estudante; o mesmo espírito que não conseguer manter nem 6 meses sequer nenhuma gestão no nosso Centro Acadêmico de Artes Visuais; o mesmo espírito que faz com que fiquemos apenas na masturbação reclamatória de que falta condições estruturais para nós alunos; o mesmo espírito que esbarra entre o pessimismo teórico e o otimismo prático. É fácil nessas horas criticar e moralizar professores que estão reivindicando um dos direitos mais básicos e fundamentais da nossa Constituição: à liberdade e à manifestação pública de protesto. É facil moralizá-los e até querer chamá-los de vários adjetivos enfadonhos, conservadores e vê-los como uma classe interessera, enquanto nós esperamos aquilo que nem sempre queremos numa segunda-feira de manhã: aula, aula, aula! Se eles se organizam, pelo menos respeitemos suas posturas e coragem. Se eles conseguem mobilizar a própria classe e literalmente parar, não por vagabundagem, mas sim por um ato autêntico de dignidade e respeito, que pelo menos saibamos nos espelhar nessas ações e aprender que, depois de anos sem conseguir diálogo com o governo que for, nós poderemos sim, futuramente fazer greve. Para finalizar, digo para aquela colega que “pediu a aula” no meio daquela discussão, que sim...aquilo já era uma aula e as melhores aulas geralmente são aprendidas fora de um cubículo branco com um quadro negro à frente.

Nesse sentindo, convido a todos colegas que querem aula, mas uma aula da vida, uma aula de política em que aprendamos sobre nossos direitos de estudantes a se somarem, ou pelo menos participarem de uma assembléia dos professores para conhecerem, antes de se fazer “críticas de corredores” aos motivos autênticos daquela greve; e, se mais possível ainda, desenvolvermos atividades que discutam nossos posicionamentos frente à greve, e melhor, a atual situação do nosso movimento estudantil.

Todo apoio à greve dos professores e servidores do IFCE!
Todo apoio à greve dos professores estaduais e federais de Ensino!
Por uma educação pública, gratuita e de qualidade!
Educação não é Mercadoria!


Alexandre de Albuquerque Mourão, aluno do 7º Semestre do Curso de Artes Visuais do IFCE e membro do grupo de pesquisa Meio-fio
alexmourao1@gmail.com
Discussões sobre o Mov. Estudantil de Artes no facebook:http://www.facebook.com/groups/amostragemmostralivre/

terça-feira, 10 de maio de 2011

V FÓRUM DE PESQUISA EM ARTE

V FÓRUM DE PESQUISA EM ARTE
Pro-vocações - trans-formações – re-voltas
Belém, 01 a 03 de dezembro de 2010 

domingo, 1 de maio de 2011

20º encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas - ANPAP

A Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas - ANPAP, de acordo com o seu Estatuto vigente, vem a público divulgar as diretrizes para a apresentação de trabalhos no 20º Encontro Nacional a se realizar na cidade do Rio de Janeiro entre 26 de Setembro e 1º de Outubro de 2011.
O tema do 20º Encontro é: “Subjetividades, utopias e fabulações”. 

quinta-feira, 28 de abril de 2011

XXI CONFAEB

O XXI Congresso Nacional da Federação de Arte-Educadores do Brasil acontecerá nos dias 14 à 18 de novembro (de segunda à sexta) na Universidade Federal do Maranhão.

Contatos:

xxiconfaeb2011@hotmail.com
http://xxiconfaeb.blogspot.com/



Os interessados deverão enviar propostas de participação ao XXI CONFAEB reportando-se ao tema “Culturas da Pesquisa – Arte, Educação e Tecnologia”.
As propostas de trabalho científico ou artístico serão enviadas através desse sítio eletrônico e e-mail do evento.

Brevemente serão disponibilizados os formulários de inscrição, as orientações quanto a normalização e o modelo para cada modalidade de proposta, que serão agrupadas nos seguintes temas:
1) histórias do ensino de arte
2) formação de professores
3) métodos e teorias metodológicas
4) educação, arte e tecnologias da informação e da comunicação
5) recepção e mediação cultural
6) educação, arte, gênero e trânsitos nas estéticas do corpo
7) linguagens da arte e suas confluências interdisciplinares
8) multi e interculturalismo

Modalidades de Trabalho:
mesa-redonda
comunicação
narrativa estético-pedagógica
painel
mini-curso ou oficina
trabalho artístico (música, artes visuais, teatro, dança, performance etc)

Cronograma:
09/05 a 17/06 - envio de proposta de trabalho científico on line
22/07 - divulgação da listagem dos trabalhos científicos aprovados
26/09 a 07/10 – envio de proposta de trabalho artístico on line
01/11 - divulgação da programação definitiva

terça-feira, 19 de abril de 2011

Agora vai!

Depois de muita ansiedade...



Fortaleza, 15 de abril de 2011
                  Caros Alunos é com satisfação que venho por esta correspondência informar que o curso de especialização em Metodologias do Ensino de Artes terá como período de matrícula os dias entre 25 de abril a 05 de maio e que no dia 07 de maio teremos o início das aulas com uma aula inaugural e em seguida nosso Seminário Introdutório.
                Desta forma, você deve fazer sua matrícula o mais breve possível para garantir sua vaga e a realização do curso, lembrando ainda que temos algumas vagas e que o aluno que trouxer outro aluno terá um abatimento em sua mensalidade de 10% e estará contribuindo para esta nova turma de especialistas que poderá ajudar a elevar o nível do ensino de arte em nosso país.
                Em seguida anexarei o calendário de disciplina para os alunos tomarem conhecimento e planejarem suas vidas acadêmicas. Nossas aulas acontecerão aos sábados e em julho três semanas corridas como combinamos em reunião.
                                                                                Atenciosamente,
 Profa. Dra. Edite Colares
Coordenadora do curso
  

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Passeio fotográfico

Sexta e sábado fiz um passeio fotográfico com minhas duas turmas. O passeio é uma oportunidade de connhecer o comportamento dos alunos fora da sala de aula e também de exercitar um novo olhar sobre Canindé.

 A primeira foi a turma de Telecomunicação. Foi frustrante em muitos aspectos. Como eu imaginei pelo pouco que conheci das pesssoas aqui em Canindé, muitos alunos não se mostraram interessados ou dispostos a fotografar. Houve ainda quem me perguntasse o que era para fazer. Ai, São Chicão! Na nossa primeira parada, a estátua de São Francisco, muitos entraram no ônibus depois de algumas fotos. A meninas, claro, são mais dispostas e interessadas, mesmo assim, poucos foram os que ficaram para procurar ângulos diferentes. Na segunda parada, o complexo da Basílica, perdi a turma de vista enquanto orientada alguns alunos. Na verdade não acredito que eles tanham realmente se dispersado pelo complexo, não por muito tempo. Emprestei minha câmera para um aluno chamado Fred. Foi realmente coinscidência, mas emprestaria a câmera com todo gosto pra ele em outra situação. É um menino muito interessado, estudioso e dedicado a tudo o que faz. Com a minha orientação ele e outros colegas fizeram fotos muito interessantes. Aliás, este será um ótimo argumento na hora do puxão de orelha da turma. A terceira e última parada foi no Museu Regional. Eles falaram alto, fizeram bagunça e tocaram nos objetos. É muita energia, muito e claro, falta de educação. Não preciso dizer que não fiquei feliz com isso.

No dia seguinte fui com a turma de Eventos em 2 lugares, sem ônibus do Instituto. Atravessamos a cidade a pé e fotografamos a Praça Azul e a Praça de Assis. É claro, há sempre os menos dispostos, os mais muleques e aqueles 2 que reclamam de absolutamente tudo, mas foi um outro passeio.

Utilizei a motivação de fazer cartões postais para que os alunos se concentassem em observar possíveis "atrativos" da cidade, procurando a beleza através de ângulos, detalhes... Vou usar alguma fotos para uma exposição, de preferência, que coincida com a inauguração oficial do Campus, dia 3 de maio.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Monografia para Licenciatura em Artes

Se eu terminar minha monografia posso concluir a especialização em 1 ano. Vou tentar fazer isso, mas não tenho nenhuma experiência com esse tipo de pesquisa na licenciatura.

O trabalho de Conclusão de Curso das Artes é legal pq dá uma experiência única na graduação: criar e justificar uma idéia. Mas, por outro lado, deixa a gente despreparado para os clichês chatos da pesquisa mais comum.

Rumos Itaú 2011

O projeto Rumos, do Itaú Cultural divulgou o Edital de 2011/2013. "O programa Rumos Itaú Cultural Artes Visuais tem por objetivo incentivar artistas emergentes, atuantes no Brasil, observando como critérios de seleção a qualidade das obras."




As inscrições vão até 30 de maio e o resultado da seleção será comunicado os contemplados por telefone e/ou e-mail até 19 de agosto de 2011. Também serão divulgados pela imprensa e pela internet, no site www.itaucultural.org.br/rumos.

Enviado por Leandro Rego.


Pós em Arte em Fortaleza

Tava dando uma olhada no que tem de pós graduação em Arte aqui por Fortaleza.
Começando pelas especializações à distância.


Especialização em Artes Visuais: Cultura e Criação - Senac
Contato:

http://www.pos-ead.senac.br/c_arte/home.html#
Investimento:
16 x R$ 220,00 + 1 parcela de R$ 80,00 no ato da matrícula, totalizando R$ 3.600,00.
Apresentação:
Destina-se a portadores de diploma de nível superior e profissionais atuantes nas áreas de Artes Visuais, Arquitetura, Cinema, Comunicação, Fotografia, Design, Moda e Figurino, e áreas afins. É importante e desejável que o aluno apresente habilidade específica em uma das áreas em foco para que possa desenvolver os trabalhos práticos propostos ao longo do curso.
Documentos, seleção e vagas:
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Workshop no IFoto

FOTOGRAFIA EXPRESSÃO
A fotografia entre o documental e a arte contemporânea
Workshop no Instituto de Fotografia do Ceará ( IFOTO), através do Núcleo de Pesquisa e Estudos de Cultura Visual (UFC). O texto integral poderá ser apreciado no site do programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará no link: http: www.poscom.ufc.br
Por Lyse Horn


Data: 29 de março de 2011
Horário: 18h
Localização: Ifoto - Rua Gonçalves Lêdo, 307
Praia de Iracema - Fortaleza-Ce
Fone: (85) 3254.6385